A comunidade humana
Tópicos desta aula (10)
- a vida de comunidade
- a graça = presença
- a vocação de dominar (no colo de um domino)
- o falso domínio (espírito politeísta vs. monoteísta)
- a autonomia como solidão (raiz da queda)
- a célula de vida é a família e a comunidade
- o fruto maduro (ser arrancado)
- suportar uns aos outros (remédio contra o egoísmo)
- o mistério material (semicondutores) que engole o homem
- a assembleia de vozes (a unidade)
Esta aula tem uma saudação inicial. A aula começa em 29:18.
“Hoje a gente vai falar sobre a vida de comunidade. A gente vai falar sobre a presença e eu vou... contar mais um capítulo para vocês da grandeza da presença.”
Trechos da aula
Vocês não perceberam que a nossa força está na comunidade? Que não existe força individual.
Nós temos uma grande vocação de dominar o mundo, sempre, a todo momento, a nossa respiração é uma tentativa de domínio sobre o mundo, de vencer a vida, né? E estranhamente, nós só conseguimos dominar o mundo no colo de um domino, no colo de um domino.
A nossa vida não foi feita para autonomia, ela não funciona na autonomia. A autonomia é uma solidão, vocês entendem que a autonomia é uma solidão?
A nossa vida é para ser toda incomodada, toda incomodada, para a gente suportar uns aos outros e isso vai salvar a gente do nosso egoísmo.
Transcrição completa
Meu comandante, Vilas Boas, direto de Minas Gerais. Esse aí, olha, tá aí, ó. Maurilo de Souza Vilas Boas, ele foi meu comandante. Comandante do quartel que depois eu comandei também. Que honra, que honra, comandante, ter o senhor aqui. Hoje a gente vai falar sobre a vida de comunidade. A gente vai falar sobre a presença e eu vou... contar mais um capítulo para vocês da grandeza da presença.
Então, na verdade, poderia ser sobre amizade também, que também é um dom da presença, da graça, a graça da amizade. Então é uma presença que realiza certas coisas. Acho que vocês, acho que a galera que está aqui já entende um pouco do que eu falo dessas presenças. Vocês sabem que essa coisa da presença, ela realmente é um macete. Se vocês não esquecessem mais desse cálculo, vocês iam sempre se orientar muito bem em todos os ramos da vida de vocês.
Vocês veem, essa semana eu estava tendo aula de técnicas de negociação. Só que agora dentro de gestão empresarial, porque eu já tive essas aulas de técnicas de negociação dentro de negociação de curso de combate, de negociador de reféns. Agora eu estou tendo aula de negociação no ramo empresarial. E aí, o professor, ele falou assim, tudo no negócio começa por um interesse, né? Sendo que quem é lá da comunidade sabe que...
Eu já chamei essa bola aqui, ó. Tá vendo a essência da vida humana? Esse homem, esse Diego aqui, das três pessoas, né? Existe uma coisa interior, né? dentro da minha essência, que são essas presenças aqui, minha, o que é meu, dentro dos meus eus, o que virou posse do meu eu, a minha caneta, a minha esposa, os meus filhos, o meu café. Vocês estão vendo que essa bola aqui é esse inter, esse dentro da essência, o que eu tenho interesse, o que vai gerar o movimento da atenção.
Então você vê e fala, tudo na negociação acontece em volta do interesse e nisso estou eu lá com a bola do bem desenhada dentro das três pessoas. Aula de gestão estratégica e empresarial, mesma coisa. As três pessoas desenhadas e tudo ali colocado na posição. Então isso é uma maravilha. Eu recebo marcações em dia após dia de vocês usando as três pessoas. É impressionante o resultado que isso deu, é uma coisa impressionante mesmo, que me surpreende bastante. Bom, dito isso, eu sempre tento trazer aqui para vocês algumas coisas frutos dos atendimentos, porque a intenção é realmente ajudar e aí eu coloco dentro de uma forma que tenha uma ordem, uma prioridade para vocês aprenderem.
Então é muito comum atender pessoas com medo de não dominar certas realidades da vida. E eu entendo completamente esse medo, porque a nossa evolução material Quem tem a visão mais material da vida, se for perguntado assim, você acha que o mundo está evoluindo? A pessoa vai olhar para as coisas materiais e vai falar assim, eu não tenho dúvida nenhuma que o mundo está evoluindo, porque ela está tendo a experiência da evolução material, a evolução técnica. E aí, eu pergunto assim para vocês, até comparativamente, Porque a gente aqui no Brasil, no Ocidente, a gente, por exemplo, quando pensa na África, a gente tem a impressão que aquelas pessoas de lá não evoluíram.
Por quê? Porque a gente sabe que elas têm uma deficiência material e técnica em relação a gente, não é isso? Bom, em sentido contrário, elas têm filhos pra caramba, né? Pelo menos elas têm um atraso em relação a nós, as políticas anti-natalidade. Quando eu saí lá de São Tomé e Príncipe, por exemplo, já estava lá o pessoal da ONU fazendo aquele trabalhozinho, aquela cartilhazinha deles, para convencer os São Tomense a não ter tanto filho assim. E ensinando para eles as maravilhas do mundo material e da evolução, da ciência e de tudo mais.
E aí o que é interessante é o seguinte, proporcionalmente a essa riqueza e a essa grandiosidade material, proporcionalmente aumenta a nossa dificuldade de dominar o mundo, né? Por quê? Porque cada vez mais eu tenho presença que eu não tenho a mínima ideia do que se trata. Por exemplo, se eu perguntar para vocês assim, o que são semicondutores? Não tenho a mínima ideia.
Pois é, quase todo o seu dia de internet, de celular na mão, só é possível devido a uma capacidade de transitar entre os condutores elétricos e os isolantes elétricos, que é uma capacidade dos semicondutores, né? Então, por exemplo, deve ter alguém aí que trabalha com isso, de me falar um exemplo de um semicondutor. Eu falo, poxa, a gente depende completamente do nosso dia, a gente só tá fazendo essa live aqui por causa dos semicondutores, né? Então a gente tá num mundo que ficou meio... meio misterioso pra gente de maneira técnica.
Antigamente a gente tinha um mistério... um mistério diferente da materialidade, o mistério do espírito. Agora a gente tá em volta do mistério material. Então é, os diodos, né? Os diodos são os semicondutores e o mais famoso que a gente usa é o silício, né? Então, hoje em dia, as pessoas têm a dificuldade com o carro, a dificuldade com a TV, a dificuldade com a quantidade de coisas que ela tem que saber no trabalho para ela não ser engolida, ou pelo contrário, para que ela seja promovida.
Então, vocês veem, a gente está diante de uma realidade material que engole a gente. A gente é perfeitamente engolido. pelo mundo material. E aí a gente vai arrumando os métodos de dominar o mundo material através do mundo material. Então vou dar um exemplo para vocês. Há um tempo atrás aqui, a vizinha bateu, na verdade é uma família que mora aqui na frente do apartamento, bateu aqui em casa. pra pedir limão, se eu não me engano. Aí eu falei pra minha esposa assim, eu falei, caraca, que maneiro, né?
Caramba, que maneiro. Os vizinhos bateram aqui pra pedir limão. Eu pergunto pra vocês, Qual foi a última vez que vocês bateram na porta de um vizinho para pedir açúcar, sal ou limão? Ele falou, a gente aperta meia dúzia de botões e vem alguma coisa pelo iFood ou esses outros aplicativos. Então vocês percebem que nós criamos uma experiência, essa experiência que eu já Deipau, já mostrei para vocês que a doentia da autonomia que vem dessa escola montessoriana e que se difunde dentro da pedagogia, obviamente, porque ela está presente em todos os grandes aspectos da nossa vida.
Essa autonomia que destrói a gente e que de vez em quando a vida tenta curar, nos curar. Vocês veem, a gente fica com essa bobeira, essa bobagem de admirar pessoas individuais, o cara me admirar assim, Diego, sozinho, olhar para mim, é igual o atacante no futebol, não dá para um atacante no futebol fazer nada sozinho, só que a gente endeusa o atacante porque é o cara que no fundo aparece, mas as pessoas não conseguem compreender completamente que a célula de vida é a família e a comunidade, ela não consegue entender isso, até que de vez em quando a gente olhe para uma grande pessoa, ela bata a cabeça e acabe completamente a grandeza que a gente via, ou então numa fatalidade da vida assim, a gente morre né, ou então tem uma dor de barriga e fica acabado, Aí a gente começa a se tocar assim, caramba.
Ou então, o que é o mais comum, né? Nós sermos decepcionados por essa pessoa que faz uma besteira pública. Aí a gente fica igual um bobo, né? Caramba! Mas eu botei tanta esperança naquela pessoa. Caramba! Mas aquela pessoa... Mas eu achava aquela pessoa tão forte, mas era tão diferente. Aí eu falo, poxa, quando vocês vão deixar de ser bobos? Vocês não perceberam que a nossa força está na comunidade? que não existe força individual. Até quando vocês vão tentar viver uma vida com essa bobeira de autonomia?
Que eu preciso de independência, autonomia, me empoderar para poder... Isso é uma bobeira. Vocês vão encontrar aqui sempre dois movimentos. nós temos uma grande vocação de dominar o mundo, sempre, a todo momento, a nossa respiração é uma tentativa de domínio sobre o mundo, de vencer a vida, né? E estranhamente, nós só conseguimos dominar o mundo no colo de um domino, no colo de um domino. Então, se vocês continuarem com essa cabeça, politeísta, ou seja, de vários domínios. Eu tenho vários domínios. Quais são meus vários domínios?
Um é aquele cara da internet sinistrão que fala sobre teologia. O outro é aquele outro cara da internet sinistrão que fala sobre filosofia. O outro é aquele outro cara do meu trabalho que é o bam bam bam do trabalho. O outro cara é aquele outro cara rico com um carrão. Essa é uma postura, o espírito politeísta. uma pessoa que tem vários deuses e ela não consegue encontrar a unidade desses deuses, ou seja, viver no monoteísmo, no monoteísmo. Então no trabalho ela tem um deus que ela segue e que tem aquela estrutura?
E ela não quer nem saber se aquele Deus ali que segue aquela estrutura, o Deus da guerra, o Deus do sucesso, é muito diferente do Deus da fertilidade, daquela outra pessoa que eu sigo, que ensina tudo sobre educação infantil. Vocês entendem que quando vocês olham aquelas séries... romanas e fica falando assim, nossa cara, que doideira esses caras, vários deuses, um deus da justiça, um deus da fertilidade e nós achamos que nós somos muito diferente deles e nós não somos, deveríamos ser, nós deveríamos ser monoteístas, deveríamos ter um deus, só que nós temos vários.
Então se o do trabalho tiver uma moralidade diferente daquele outro ali, não tem problema. Vocês veem, né? Eu não me incomodo de verdade, eu atendo pastores, macumbeiros, satanistas, espíritos, eu atendo essas pessoas. E aí, umas duas ou três delas já me disseram assim, eu atendo pastor que tem igreja com mais de 500 mil pessoas no consultório. E aí, sabe o que é interessante? É que tipo assim, a pessoa fala tranquilamente, ela me conhece, ela sabe que eu sou católico.
Ela fala assim, não, é que nesse ramo aqui, nesse ramo aqui, eu entendo que é isso, isso e isso. Mas nesse ramo aqui não, pô. Vocês entendem quando eu falo pra vocês daquela pessoa romana, do Deus da fertilidade e do Deus da guerra? Vocês entendem? Vou aproveitar aqui, eu não costumo fazer isso não, mas é uma coisa que eu tenho que até melhorar, né? Vou olhar aqui as perguntas de vocês, que usualmente são sobre o que eu estou falando e ajustar vocês, né? Isso é a perversão da Assembleia de Vozes ou a própria Assembleia de Vozes já é algo mal?
Então, uma coisa... é uma assembleia de vozes, tipo a minha assembleia de vozes que tá aqui na minha frente, né? São centenas de vidas de santos canonizados. Então, a minha assembleia... Voltou, deu uma travada aqui pra mim. Ai, já sei. É que tem um limite diário aqui de uma hora. Será que caiu a live? A live continua? Bota aí, alguém manda mensagem se a live tá funcionando bem. Tá bom? Beleza, aqui você atingiu o seu limite diário.
Então, a Assembleia de Vozes precisa ter uma unidade. Não dá pra essas doideiras que a gente vê assim. O cara é católico e é maçom. Ah, não, porque a moral maçônica é legal e dá pra aplicar e tal. É tipo essas coisas mesmo que eu falo assim de... Ah, dá pra ser católico e marxista. Católico e espírita. Isso é aquela mesma experiência, entende? De Marte e da deusa da fertilidade, Afrodite. Essa experiência é uma experiência comum, as pessoas acham que essas experiências mitológicas eram coisas meio bobinhas que aconteciam antigamente e não entendem que são coisas escritas de maneira poética da experiência mais íntima do homem de todos os tempos.
Então, nós vamos continuar lutando contra esse tipo de defeito. O problema não é ter uma assembleia de vozes. O problema é que você tem que ter uma assembleia de vozes que tem algum tipo de unidade. Então, eu sempre sinto, pra mim, aquele caso, um caso que teve aí há um tempo atrás, que o pessoal me encheu de perguntas, porque teve uma galera na internet que falou que deixava filho de castigo e tal. E aí na mesma época eu tinha falado que eu nunca botava, nunca botei um filho de castigo sozinho num lugar, né?
Que não tem cabimento nenhum se eu fazer isso. Mas por que que se pensa assim? porque a presença é o fundamento de todas as coisas. Então, quando eu penso educação, eu não posso pensar diferente de como eu penso técnica de negociação, vocês entendem? Vocês precisam ter uma maneira monoteísta de pensar a vida, vocês não podem ter prioridades específicas para cada local, que é usualmente o que acontece com as pessoas. Então, por que eu fico gastando bastante tempo? Vocês veem, eu já tenho uns cinco anos. que o centro de interesse dos meus estudos pessoais é política.
Tem uns cinco anos. Isso depois, quando eu fiz escola naval, de 2005 a 2008, Grande parte dos meus estudos foram políticos. Então foi na escola naval que eu li os escritos políticos de Antônio Gramsci. Foi na escola naval que eu li as leis de Montesquieu. Foi na escola naval que eu li os escritos do Cárcere, do mesmo Antônio Gramsci. Vocês já perceberam que eu nunca falei dessas coisas para vocês de política aqui e parei. Vamos conversar sobre política e filosofia política e ciência política. E eu estudo isso há vários anos.
Vocês sabem por quê? porque enquanto eu não tiver estruturado a unidade, o monoteísmo, como é tudo que eu ensino para vocês dentro da política, eu não vou ficar aqui igual um bobão chutando um monte de coisas para vocês, sobretudo por ainda não ter chegado no café político que eu preciso chegar. Na verdade, que eu já estou chegando há algum tempo. E, inclusive, é tomar esse café que me fez estudar essas coisas. Para você ver, as coisas que eu falo para vocês, eu praticamente não estudo mais já tem muitos anos.
Por que eu não estudo mais há muitos anos? Porque, na verdade, eu já pratico isso há muitos anos. Bom, dito isso, fecha o parêntese grandão, né? E aí a gente volta aqui para a coisa da presença de comunidade e para pedir o limão para o vizinho. Mas a gente está dentro da mesma esteira, dentro do mesmo assunto. As pessoas aparecem no consultório aqui para mim, eu vou falar das católicas para vocês entenderem do que eu estou falando. Eu tô grávida do terceiro filho. Eu tô replicando uma fala, hein?
Eu tô grávida do terceiro filho. E eu tô com muito medo do meu marido me largar. A gente tem brigado muito. E se ele me largar, eu não sei o que fazer, professor. O que vocês acham que é esse medo? O que vocês acham? Por que vocês acham que uma pessoa tem esse medo? Quando ela fala isso para mim, sobretudo se for na primeira consulta, já dá para eu ter uma noção muito grande de como o espírito, a personalidade dela está construída em cima de uma autonomia que não existe na nossa vida.
A nossa vida não foi feita para autonomia, ela não funciona na autonomia. A autonomia é uma solidão, vocês entendem que a autonomia é uma solidão? É por isso que as pessoas não dão mais conta da vida, porque elas querem autonomia. Existem várias bobeiras de autonomia, são pessoas que, vários e vários casos, porque tem vários influencers e várias pessoas grandes. que falam que a gente tem que sair de casa logo, a gente tem que ser independente, e isso é uma besteira do caraca. As pessoas tinham que sair de casa pra casar ou pra ir pra uma vocação religiosa, ou seja, ou tu vai casar, vai pra comunidade familiar, ou tu vai pra comunidade religiosa, pra um seminário, ou tu vai ser monge de mono, de sozinho, só que é comunidade monástica, porque a Igreja Católica já entendeu que o mono sozinho, muito mono, é uma bostinha, você entende?
Então, até a comunidade na Igreja Católica, até o monge da Igreja Católica, ele vive em comunidade. Vocês entendem? Tamanha a sabedoria de que a gente precisa das pessoas. Só que a gente não consegue mais fazer isso. Vocês podiam fazer esse exercício. Façam esse exercício. Quando vocês precisarem de alguma coisa, batam na porta de um vizinho e peçam ajuda. E vocês vão ver como vocês vão sentir dificuldade. E o vizinho vai abrir a porta e vai falar assim, esse cara tá de sacanagem.
Por que o maluco não vai lá no mercado? Por que o cara não pede pelo iFood? Essas duas experiências, a experiência da nossa dificuldade em bater na porta do vizinho e a dificuldade do vizinho de entender por que a gente está batendo na porta dele, é um fruto miserável da autonomia, do materialismo e da vida com uma perda hierárquica diante das coisas gigantes. Até o outro dia, as pessoas viviam assim. As pessoas mais novas não têm mais a mínima ideia do que eu estou falando. E talvez se eu não tivesse ido viver na África, nem eu soubesse mais que café que eu estou tomando.
Mas se eu não tivesse ido para a África, talvez eu não estivesse conseguindo falar isso aqui que eu estou falando para vocês, não. Seria muito difícil eu abstrair isso da nossa realidade. Ou seja, Esse medo de bater na porta do vizinho pra pedir açúcar, esse medo, ele já representa, ele já é um filho bastardo e miserável da falta de vida de comunidade. Porque a vida de comunidade, eu sempre me lembro de São Paulo, né?
Suportai-vos uns aos outros. A vida de comunidade, ela é como Chesterton dizia do casamento, né? Ela é um remédio categórico, cabal contra o egoísmo, né? E um remédio fundamental de maturidade. porque ela é uma estocada na nossa costela a cada instante. Aqui, como a gente não fica sozinho nunca, ficamos todos na sala. Vocês veem, hoje eu estava tentando fazer um estudo para levar amanhã lá para o mestrado da guerra da Rússia e da Ucrânia. E aí eu estava tentando fazer isso ali na sala, sentado na sala com o meu filho mais velho, sobretudo do meu lado, encostado em mim, E enquanto eu escrevia as coisas do slide, ele perguntando cada coisa, papai, onde é a Crimea?
Papai, como que o Putin está no poder da Rússia desde 1999? Aí, enquanto ele falava, eu pensava assim, cara, eu estou na escola da perfeição humana, na escola da perfeição. Essa é a escola daquela árvore da maturidade, o fruto maduro. Eu vou falar isso pra vocês um milhão de vezes na minha vida. O fruto maduro, quando a gente olha um fruto na árvore e ele tá maduro, a gente quer arrancá-lo de lá, né? Se ele tá verde. A gente deixa ele lá, mas se a gente olhar o fruto e ele estiver maduro, a gente vai arrancar de lá, porque a vocação do fruto maduro é ser arrancado.
Ou por alguém que vai se degustar dele, se alimentar dele, ou ele vai ser arrancado da árvore para cair no chão e dar vida ao solo, para outra árvore. Então, o fruto do amadurecimento humano é esse constante ser arrancado da árvore. Professor, papai, meu amor, Diego, comandante, e quanto mais você é chamado, significa que mais o fruto tá maduro e mais pessoas querem se alimentar desse fruto, vocês entendem isso? Então a gente não pode mais se sentir incomodado com o torque, com a pergunta. Essa é a vida de comunidade.
Na vida de comunidade, a gente não fica constrangido, envergonhado de pedir. Eu já contei pra vocês um cenário meu de quando eu tinha dois filhos e não tinha carro. Aí, um amigo meu, prático, eu não sei se vocês têm ideia do que é essa profissão, né? Prático, falou assim pra mim, cara, tu não tem medo não de... Acho que a Mariá estava grávida do terceiro filho e ele tinha um filho, se eu não me engano, e devia ganhar dez vezes mais do que eu, sei lá, acho que mais do que dez vezes.
Tu não tem medo não de faltar alguma coisa e tal?" Eu falei, meu irmão, olhando nos olhos dele, se faltar eu vou te pedir comida para os meus filhos". Aí ele ficou olhando para mim assim e falou assim, é, estou te entendendo. Eu não sei se por dentro ele ficou meio puto ou se ele ficou, pô, aí tu está brincando comigo, né? Pô, tu não vai ter condições para dar para os teus filhos, tu vai pedir para mim e tal. Eu falei, pô, é óbvio que eu coloquei a minha confiança na comunidade.
Eu percebi rápido, rápido, na vida. pelas minhas fraquezas, pelas minhas doenças, que sozinho não dá. Se vocês tiverem vergonha, não quiserem bater na porta das pessoas para pedir ajuda, ou se vocês se sentem incomodados das pessoas incomodarem vocês, eu vou falar para vocês, vocês estão em uma estrutura de vida extremamente doente. A nossa vida é para ser toda incomodada, toda incomodada, para a gente suportar uns aos outros e isso vai salvar a gente do nosso egoísmo. Estou com a leve impressão de que eu vou ser gongado pelo Instagram.
Tô com a leve impressão que o Instagram vai acabar com a minha live aqui. Será? É, olha aí, a Elis tá falando. Olha o caso da família do Tiba, pô. Vocês veem, né? É. Vocês percebem? Olha o caso da família do Tiba, pô. Vocês percebem como a vida, a vida humana, ela é a comunidade?
Obras citadas nesta aula
Autores e pensadores(2)
- São Paulo
- G.K. Chesterton
Livros(3)
- De Trinitate (A Trindade) — Santo Agostinho
- Cadernos do Cárcere (escritos do Cárcere) — Antonio Gramsci
- As Leis (O Espírito das Leis) — Montesquieu
Filmes(1)
- filme do Padre Pio — Padre Pio (filme)